Esse é um pierogi de feijão. Se você não é da minha cidade, é bem provável que nunca tenha ouvido falar nele.
Minha família inteira é descendente de polonês. Meus tataravós vieram de lá, e essa receita atravessou todas essas gerações até cair na mão da minha mãe. Eu cresci comendo isso achando que era comida de todo mundo, até descobrir que quase ninguém de fora conhece.
A história
De onde ele vem
O pierogi é uma comida típica eslava, forte na cozinha polonesa e ucraniana. Aqui na nossa região virou tradição por causa das famílias que colonizaram a cidade, e a minha é uma delas. É comida de festa, de domingo, de casa cheia.
E eu tenho uma história com ele. Na época da faculdade era minha mãe que fazia e eu que vendia, um por um. O que pra muita gente é "comida exótica", pra mim é a mesa dela.
Por dentro: massa fofa como pão caseiro e o purê de feijão
Por fora parece um pastel, mas o segredo está aqui: a massa é feita que nem pão caseiro, macia, e por dentro vai um purê de feijão temperado. Frito na imersão, dourado por fora, fofo por dentro.
O coração
Recheio de feijão
- Feijão cozido e sem caldo 2 xícaras
- Cebola picada bem fininha 1/2
- Alho picado 2 dentes
- Banha ou outra gordura 1 colher
- Salsinha, cebolinha, orégano e sal a gosto
Preparo
- Amasse o feijão até virar um purê. Não precisa coar nem triturar, o tradicional é só amassado mesmo. É normal ficarem as casquinhas e alguns pedacinhos, é assim que tem que ser.
- Refogue a cebola e o alho na gordura.
- Entre com o purê de feijão e os temperos e misture. Deixe esfriar bem antes de usar.
O purê de feijão no centro do disco de massa
A base
A massa
- Fermento biológico 15g
- Leite 300ml
- Óleo 30g
- Açúcar 20g
- Farinha até dar o ponto
Preparo
- Misture todos os ingredientes até a massa ficar lisa e macia. Não precisa sovar muito.
- Deixe descansar coberto com um pano ou plástico por cerca de 1h.
- Divida a massa em pequenas porções e abra cada uma formando um disco.
- Recheie com o purê de feijão e feche pinçando as pontas, como se fosse um pastel.
- Deixe crescer até quase dobrar de tamanho. Não precisa dobrar exato, mas precisa crescer um pouco.
Fechando as pontas pinçadas, igual pastel
Descansando pra crescer antes de ir pra fritura
O acabamento
A fritura
Frite na imersão, em temperatura média. A massa é grossa e precisa fritar mais lentamente, pra dourar por fora ao mesmo tempo em que cozinha por dentro.
Temperatura
160-180°C
a mesma do sonho
Fritura
Imersão
média, sem pressa
Dourando na imersão, no ponto certo
Na mesa
Como servir
Coma quentinho, de preferência. E se quiser do jeito tradicional da minha casa, acompanha com uma carne de panela. Aqui o típico é uma carne de porco refogada e bem douradinha.
A mão que fez isso a vida inteira
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